Não é de se estranhar que em diversas plantas industriais se ouça o tipo de comentário: “Essa de cor vermelha é que é boa.” “A azul resiste melhor ao calor.” “Carga pesada? Use a preta.” “Mudou de cor, a graxa já não serve para nada.” É uma interpretação bastante difundida, embora do ponto de vista técnico fique incompleta. A verdade é que a tonalidade da graxa, por si só, não diz muito sobre o seu rendimento. Ela pode ser de qualquer matiz: vermelha, branca, verde, marrom, âmbar, preta ou azul. Mas esse aspecto visual não é um indicador fidedigno de que o produto vai aguentar mais rotação, temperatura, água, carga ou ainda um intervalo maior de relubrificação. No fim das contas, o que define o desempenho de uma graxa é a sua formulação e as condições em que o equipamento está a operar. Como se mede a performance de uma graxa? No caso de uma graxa industrial, não é a aparência que vai determinar o seu rendimento. O que importa é um leque de propriedades técnicas como: - tipo e viscosidade do óleo base; - espessante; - consistência segundo a norma NLGI; - pacote de aditivos; - resistência à água, à oxidação e ao desgaste; - estabilidade mecânica; - capacidade de carga; - faixa de temperatura em que trabalha; - compatibilidade com o equipamento e outras graxas; - método de aplicação e o ciclo de relubrificação. Por isso, pode acontecer de duas graxas da mesma cor apresentarem desempenhos de todo diferentes. Ou então, produtos de cores distintas terem aplicações parecidas, tudo na dependência da formulação. A cor serve para você fazer uma identificação visual do produto, mas não deve levar a lugar nenhum no lugar de uma boa análise técnica da ficha de dados e das condições de operação. Será que há uma razão para as graxas virem em tantas cores? Na verdade, o tom da graxa é o que se vê de pigmentos, corantes e outros aditivos ou matérias-primas na sua composição. Mas os fabricantes também têm um interesse prático: dar uma identidade visual ao produto para quem está no campo. Pense nas rotinas de manutenção. Ter a cor como referência serve para: - fazer a conferência de vista na graxeira; - separar as graxas conforme a aplicação; - não correr o risco de usar o produto indevido; - padronizar as rotas de lubrificação; - perceber de imediato se houve uma mistura acidental; - manter o almoxarifado organizado. Tudo bem usar a cor como um recurso visual. O equívoco é fazer dela o parâmetro técnico de escolha. Não se iluda: o fato de ser azul não torna a graxa superior a uma de cor âmbar. Uma vermelha não é sinônimo de alta temperatura por si só. E embora uma preta possa ter grafite ou bissulfeto de molibdênio, a cor não atesta que ela vai aguentar qualquer tipo de aplicação severa. A forma que a Saito Tecnologia aconselha para lidar com a cor da graxa tem uma recomendação técnica de fácil entendimento: que se use a cor como um recurso visual para identificar, mas não como o fator decisivo na hora de escolher. Para ter uma rotina de trabalho de confiança, é preciso seguir alguns passos: - fazer o cadastro técnico dos pontos de lubrificação e padronizar as rotas e etiquetas; - identificar a graxa pela especificação e nome, não pelo tom; - ter controle de compatibilidade e um armazenamento em ordem; - treinar quem está em campo e garantir a aplicação na quantidade devida; - revisar de vez em quando o plano de lubrificação e apurar qualquer mudança visual que pareça anormal.