Qual a melhor forma de se decidir por um óleo lubrificante automotivo?
- Anderson Saito
- há 2 dias
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Não convém fazer essa escolha para o seu veículo de maneira leviana, pautando-se só no preço, na marca ou em alguma recomendação de boca. O óleo é um item de cunho técnico, fundamental para o motor: ele é quem vai garantir a lubrificação e a proteção contra o desgaste, controlar as temperaturas, manter a limpeza por dentro e, em suma, determinar a longevidade do conjunto mecânico.
O caminho mais seguro é consultar o manual do carro. Lá você tem a palavra da montadora sobre qual viscosidade, padrão de desempenho e especificação são os indicados para o seu motor.
O óleo certo não é escolhido pela marca, mas pela especificação
Há quem caia na armadilha de achar que a proteção do motor fica garantida só porque o óleo é de uma boa marca. É um engano frequente. A marca tem seu valor, mas não vem a ser o mesmo que seguir a especificação técnica.
Para que o óleo faça o seu papel, ele tem de satisfazer três requisitos: a viscosidade SAE devida, uma norma de desempenho à altura e o aval ou recomendação da montadora. É preciso que esses pontos andem de mãos dadas.
Pode ser que dois óleos 5W-30 se assemelhem, mas não espere que tenham o mesmo desempenho térmico, resistência à oxidação ou compatibilidade com os sistemas de hoje em dia; os aditivos podem variar muito de um para o outro. Daí a importância de não se guiar pela viscosidade estampada no rótulo na hora de escolher.
Entenda o que é a viscosidade do óleo:
É a medida da resistência que o óleo opõe ao seu próprio escoamento. Na prática, a viscosidade diz muito sobre o modo como o lubrificante vai se portar conforme a temperatura muda.
No caso dos óleos de automóvel, você vai encontrar referências como 0W-20, 5W-30, 10W-40 ou 15W-40. Tomemos o 5W-30 como exemplo: o “5W” na frente tem a ver com o desempenho em frio, principalmente no momento de dar a partida. O “30” que se segue refere-se ao comportamento quando o motor já está na sua temperatura de trabalho.
Portanto, a viscosidade é fundamental para a proteção na hora de ligar o carro e para a formação do filme lubrificante com o motor quente. Não adianta usar uma que não seja a recomendada. Além de prejudicar a lubrificação e fazer o consumo de combustível subir, isso pode ter reflexos nos sistemas hidráulicos e danificar peças sensíveis como o turbo, a corrente de comando ou o comando variável.
Não se engane: um óleo mais grosso não é sinônimo de maior proteção
Há quem pense que para um motor com muitos quilômetros na conta o uso de óleo mais grosso é uma obrigação. Mas essa crença, por mais que seja de praxe, merece ser vista com cautela.
É verdade que em certas ocasiões a maior viscosidade pode abafar ruídos ou conter o consumo de óleo por um tempo. Tecnicamente, no entanto, isso não o torna a opção certa.
Ao optar por um produto mais espesso do que o de rigor, você pode acabar:
Tirando proveito de sistemas de comando variável;
Forçando a bomba de óleo e o consumo de combustível;
Deixando a lubrificação rápida a desejar;
Demorando mais para o óleo circular quando dá a partida;
E até esconder um desgaste mecânico que já existe.
O caminho mais prudente é respeitar o que o fabricante indica. Se o desempenho cair, o ruído aumentar ou o consumo for excessivo, vale a pena apurar a origem do problema mecânico em vez de mudar a viscosidade por mudar.
Conclusão
Há uma lógica técnica de todo simples para se fazer a escolha certa do óleo lubrificante: basta atentar para o manual do veículo, a viscosidade e as especificações de praxe, ter a aprovação da montadora e um intervalo de troca que se adeque ao uso.
Não que a marca não conte, mas ela jamais deve vir a substituir o olhar técnico. O que se quer é um óleo formulado de modo a satisfazer as exigências do motor, dar proteção aos componentes de dentro para fora e aguentar as intempéries da operação, garantindo a confiabilidade do carro com o passar dos anos.
Nos motores de hoje em dia, o cuidado tem de ser redobrado. O óleo já não é só mais um item de manutenção de rotina; ele se tornou parte integrante da engenharia que assegura a durabilidade e a eficiência do motor. No fim das contas, acertar na escolha é o jeito mais prático de poupar o veículo de desgastes e falhas, mantendo o seu desempenho.



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